domingo, 23 de outubro de 2011
Rafinha Bastos é um idiota. E tem todo o direito de ser.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Só Rio

E, eis que, pela primeira vez, o Brasil é bem retratado por Hollywood. Após décadas a fio, nosso país somente aparecia nos filmes americanos, como um lugar sujo, predominantemente coberto pela Selva Amazônica, com feras gigantes que assombravam a nossa população semi-arborícola ou uma republiqueta latina, tomada por guerrilheiros; isso quando não nos colocavam a falar espanhol. Curiosamente, no ano em que Obama, o presidente americano cuja história de concepção se mistura intrinsecamente com um filme de grande sucesso internacional ambientado na Cidade Maravilhosa (o célebre, mais internacionalmente que nacionalmente, é verdade, Orfeu Negro) visita o Brasil pela primeira vez, surge um filme de Hollywood sobre a mágica cidade que, pro bem e pro mal, é o cartão-postal mais famoso de nosso país no exterior.
Rio é sublime. É um filme de um dos maiores estúdios de animação dos EUA, a Dreamworks, e junta toda a pujança tecnológica característica do cinema americano à vivência íntima com a cidade, que só poderia vir de um brasileiro, ainda por cima, de um carioca, o brilhante Carlos Saldanha, diretor da trilogia Era do Gelo. Somente com um brasileiro à frente do processo criativo, poderíamos ter o resultado fantástico que se impõe à tela. Rio, inclusive, é um dos poucos casos de filme em que acredito que o uso do 3D faz realmente um impacto na experiência de assisti-lo, ao invés de simplesmente um recurso para distrair uma história pobre, como tem-se visto na maioria dos lançamentos em três dimensões. A história, inclusive, é excelente. Os personagens são tão cativantes e interessantes como os das melhores produções da Disney, e todos têm um sabor bem brasileiro. O casamento de cores profusas de nossas aves, da Marquês de Sapucaí no desfile de carnaval, as tomadas aéreas e vistas panorâmicas da orla e morros cariocas dão a impressão de se assistir uma pintura em movimento, artes plásticas e primeira grandeza sendo realizadas na tela. Destaco especialmente o vôo de asa delta em que o casal de araras protagonistas passa pelo Cristo Redentor e as cenas movimentadas por entre as ruelas de uma favela carioca. A cereja do bolo fica por conta da brasileiríssima trilha sonora produzida pelo pianista Sérgio Mendes, que parece reviver, na era dos filmes digitais, a magia dos musicais Disney, com uma interação em que a música se torna a verdadeira narradora da história, como só a música brasileira poderia fazer numa história sobre o Rio de Janeiro.
Finalmente, temos uma visão do cinema americano sobre o nosso país que é digna de ser mostrada. Curioso, que é a visão de um brasileiro, impulsionada pelos recursos financeiros e audiovisuais gringos. Merece ser assistido em 3D e, embora eu não tenha visto a versão legendada, acredito que as vozes de atores brasileiros, falando português, cai melhor aos nossos ouvidos numa história carioca, que americanos falando inglês imitando esse sotaque; especialmente nas músicas, majoritariamente sambas e bossas novas, que devem ficar um pouco estranhas no original inglês. Curiosidade para o fato de Rodrigo Santoro participar das versões nacionais e original como dublador do ornitólogo Túlio.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Minha Vida de Erasmus - São João do Porto
Sardinhas assadas, ó pá!Estou aqui de volta para mais um pequeno post, mandando mais notícias da minha vida européia (sim, porque acho até injusto dizer que minha vida aqui é lusitana, após tantos cantos visitados) e detalhando um pouco mais da rotina de um estudante brasileiro pelo Velho Mundo.
O tópico de hoje é um tanto quanto especial para mim. Sim, porque como nordestino, paraibano e filho de uma campinense, me acostumei a, todos os anos, freqüentar as festas juninas. E esse ano, não poderia ser diferente. Especialmente após a minha primeira visita à "mui nobre, antiga, sempre leal e invicta Cidade do Porto" (minha favorita em Portugal), quando um de meus amigos lusitanos do norte me fez o convite para retornar na maior das festas de junho. Assim, o fiz.
Posso dizer que para um brasileiro, especialmente um paraibano, curtir essa celebração é necessário desarmar o espírito de expectativas e comparações. Aqui, vai se participar de uma festa tradicionalmente portuguesa. Ou melhor, tradicionalmente do Porto. Com a mente livre de conceitos pré-estabelecidos, se está a participar de uma grande comemoração de rua, extremamente divertida e curiosa; além de ter um sabor de imersão cultural. Há que se lembrar sempre que não é a "nossa" festa, é apenas o mesmo santo. E, se considerar que o que celebramos em nossos festejos, é a parte profana da tradição e, que, sinceramente, nem nos lembramos que é um dia dedicado a um apóstolo, nem mesmo quando repetimos o nome exaustivamente nos nossos vivas, aí sim, ficamos sem nenhuma semelhança. Quer dizer, quase nenhuma.
Aqui também se dança. A festa também é marcada por músicas do interior (no lugar do forró, temos o folclore caipira português). Mas, como tem acontecido no Brasil, outros ritmos adentram a festa. Mas, diferente de nós, que ainda mantemos majoritariamente o nosso forró, o capira tem apenas 40% da playlist da noite. Por se tratar de feriado popular, há vários sítios com diferentes estilos musicais, incluindo música eletrônica. Agora, como em toda farra portuguesa, há música brasileira com certeza. Muita música nossa. Forró e axé tocam seguidas vezes ao longo da peregrinação noturna. Menção honrosa para uma versão portuguesa caipira de um "sucesso" do paraibano Amazan, em que ele declara seu gosto por "mamar nos peitos da cabritinha". Acredite, com sotaque lusitano, consegue ficar bem pior.
Uma frase útil, a ser dita para qualquer um que resolva se aventurar na cidade do Porto na noite do dia 23/madrugada do dia 24 de junho seria: cuidado, cá existem balões. A belíssima e perigosíssima tradição de balões juninos se origina aqui. Os portugueses comemoram assim há séculos e, como Roberto Marinho não decidiu fazer campanha nestas terras, os OVNIS juninos continuam a cruzar os céus patrícios (juro que conseguia escutar a voz do narrador padrão de anúncios de utilidade pública da Globo dizendo "Não solte balão"). Dois momentos perigosos são dignos de nota: um balão se desfez em chamas no ar e quase cai sobre um casal de namorados numa das praças da cidade, a 50m de onde eu estava; outro , não ganhou altura suficiente logo de cara e ameaçou cabeças de pessoas e janelas de casas, antes que uma providencial corrente de ar o fizesse alçar vôo logo.
Quanto ao estilo de curtir a noite na rua, é completamente diferente. Aqui, as pessoas não se encontram em um determinado ponto da cidade onde se concentra a diversão. E, não dura mais que um dia. Tudo começa praticamente a partir do fim da tarde do dia 23, quando as pessoas passam a se reunir para a parte gastronômica do festival. Esqueça o cheiro de comidas de milho no ar, aqui, é sardinha a ser assada na brasa. Sim, os cidadãos do Porto se reúnem, tradicionalmente à beira do rio Douro, e se põem a assar sardinhas e saboreá-las com pão e salada, tomando vinho ou cerveja. E, olha, por mais que o cheiro de sardinhas nos dias normais seja horrível e que as gaivotas que pairam sobre a cidade no dia seguinte também; é delicioso e de fazer água na boca o cheiro das brasas de São João no Porto. E, o sabor, melhor ainda.
A celebração segue e as pessoas se reúnem à meia-noite à beira do Douro para a magnífica queima de fogos de cerca de 30 minutos, que saúda a chegada do dia do santo. É, parece ano novo mais uma vez, com a exceção de que, ao invés de brindes de champagne e abraços fraternos, começou a hora dos martelinhos! Sim, martelinhos de plástico que fazem barulho, como aqueles que damos às crianças durante o carnaval. Alguns, inclusive, têm um apito na fim do cabo. Podem ser comprados em qualquer esquina e um dos jornais, creio que o Diário de Notícias, os fornece como brinde na edição do dia 23. A tradição é a seguinte, deve-se acertar as pessoas com o instrumento medieval na cabeça e, se alguém te acerta, mostra-lhe que o terror vem pelo alto!!! Ou, pelo menos, devolva a marteladinha barulhenta no casco. Há ainda, uma variante, bem menos popular, mas mais tradicional, que é andar com uma planta de alho e esfregar o buquezinho de flores no nariz dos outros. Por óbvias razões, o comercial, menos ecológico, mas muito menos irritante martelinho virou a tradição. Tenho ainda que mencionar os jarrinhos de manjericos, que devem ser oferecidos para as gajas (não, não vou chamar moça de família de você-sabe-o-quê, mesmo que seja assim que eles chamem) de quem se esteja enamorado; costuma-se passar a mão na planta de o jarrinho e cheirar (sim, elas são muito aromáticas mesmo).
Todo esse movimento se dá enquanto se faz uma peregrinação pela cidade. Pode-se fazer o tradicional trajeto da Ribeira, às margens do rio, até o encontro com o mar, sempre parando em vários bares para dançar e tomar um fino (chopp) refrescante ou, seguir para Mira Gaia, a região com vários palcos e tendas, em que se faz praticamente o mesmo trajeto, mas não pelas margens e, sim, por dentro do centro histórico.
Se os pontos positivos vão para a óbvia diversão envolvida e a completa tranqüilidade, livre de brigas, ladrões ou outros tipos de confusões (sem necessidade daquelas filas indianas de policiais passando pela multidão, como vemos na nossa terra, infelizmente), o ponto negativo vai para, mais uma vez, a infra-estrutura capenga da volta para casa. Pouquíssimos táxis, sem horário especial do metro ou dos "autocarros" (ônibus). Por conta disso, tivemos uma caminhada de quase 45 min ladeira acima (1,5Km de subida enladeirada com um ângulo de inclinação nem um pouco favorável a quem acabou de passar 6 horas pulando, dançando e martelando a cabeça dos outros). Mas, enfim, tudo vale a pena, se a vontade de curtir um São João não é pequena.
Abraços!
terça-feira, 22 de junho de 2010
Minha Vida de Erasmus - A Copa do Mundo é Nossa
Comemorando a vitória com GuaranáAgora, sem generalizações, por favor. Não podemos sair a dizer que apenas o nosso país dá tanto valor à Copa, como tentavam fazer crer alguns dos meus professores de Geografia e História, que, por mais que fossem boa gente, a paixonite incurável pelo esquerdismo e a falta de atração pela cancha relvada faziam repetir em sala de aula. Na Inglaterra, na Alemanha, na Espanha, na Itália, enfim, nos países que, diferente de Portugal, não entram na Copa só pra participar, mas com reais chances de levantar a taça, o clima é diferente. Pode-se respirar o Mundial passeando-se pelas ruas. Para-se o dia para assistir aos jogos dos esquadrões nacionais. Mas, ainda assim, nada se compara com o espírito da Copa em casa, com o ar que carrega o odor da grama, com os relógios cujos minutos não passam, com o seu coração que faz tique-taque em perfeita sincronia com milhões de outros assim que abre a transmissão. Juro, até mesmo as bobagens de Galvão Bueno fazem a diferença nessa hora. Juro que posso sentir que o tamanho da minha saudade desse cenário é o mesmo do furor que tomará o maior evento esportivo do mundo na sua edição de 2014.
Apesar disso, os jogos do Brasil tem sido bem interessantes de se assistir. A Associação Acadêmica disponibiliza um telão eletrônico para a transmissão dos jogos da Copa e, como esta cidade portuguesa é uma colônia brasileira com certeza, há uma aglomeração verde-amarela, com direito a samba, churrasco e cerveja nas batalhas que disputa a Canarinho em terras africanas. Aí, sim, pode-se sentir um pouco do gosto de Copa do Mundo. Até com um sabor interessante, pois os rivais aqui ficam mais próximos. Europeus de todas as estirpes atendem aos jogos, bem como alguns adversários africanos. Na última partida, tivemos marfinenses presentes ao evento, o que não deixa de ser interessante. E, graças ao milagre da internet, tive o prazer (?) de assistir aos primeiros tempos dos jogos do Brasil com a narração de Galvão, antes de seguir para os segundos tempos na Associação.
Agora, não sejamos injustos, à medida que foram saindo os "golos" portugueses contra a Coréia do Norte, os patrícios foram ganhando coragem e já se empolgam diante da ausência de Kaká e crêem num triunfo certo perante nós. Pena; teremos que estragar o clima de Copa que está a surgir nesta nação. Sexta feira, saberemos do mar salgado, quanto do seu sal serão lágrimas de Portugal.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Minha Vida de Erasmus - A Seleção Brasileira

Olá, pessoal!
Bom, hoje, como já prometi começo hoje a escrever um pouco sobre a minha vida aqui na Europa. Achei interessante começar falando um pouco sobre a Seleção Brasileira. Mas, não se confundam, não vou comentar aqui sobre o Dunga ou Copa do Mundo, vou falar sobre a nossa casa, aqui nas terras lusitanas. No semestre passado, quando fecharam o contrato de aluguel, eram seis moradores, todos brasileiros, daí o apelido carinhoso.
Estamos num pequeno prédio, com quatro andares, contando com o Rés do Chão (térreo) e um andar abaixo do nível da rua (não é subsolo, é que a rua é enladeirada). São dois "apartamentos" por andar. Coloco as aspas pois na verdade, mais parecem casas empilhadas. Associe-se a isso o fato de termos jardim e quintal e a palavra "apartamento" fica meio fora de lugar.
Moramos no Rés do Chão esquerdo, ao nível da rua, o que só aumenta a sensação de morar numa casa e não num prédio. Somos sete moradores. Seis brasileiros e um eslovaco. Todos Erasmus. Aqui vivemos André e Luciana (Medicina-PB), Katiane (Engenharia, mas paga disciplinas de Economia-AM), Dani (Direito-AL), Mileny (Mestrado em Gestão Educacional-MG), Gustavo (Mestrado em Direito-MG) e Jan (Economia- Bratislava, Eslováquia). O local, em si, tem tantos quartos, mas como em qualquer lugar em que se alugue para Erasmus, escritório vira quarto, dependência de empregada vira suíte e quarto dos fundos vira varanda de estender roupa.
Como falei antes, inicialmente eram seis, cinco mulheres e um homem. Três das meninas eram de João Pessoa. Com a virada do semestre, saíram Talita e Shara e viemos eu, Dani e Pablo, um espanhol que fazia doutorado em Neurociências. Ele saiu daqui em abril, um dia antes do pagamento do aluguel do próximo mês, nos avisando às 22 horas, nos deixando sem nenhuma oportunidade para tentar alguém para ocupar sua vaga e nos deixando com um rombo de €133 no aluguel. Como seu nome não estava no contrato ainda e ele se mostrou uma pessoa de pouquíssimos escrúpulos - chegando a dizer "no é problema méu"- e tomamos o prejuízo. Com sorte, Jan foi encontrado sete dias depois da saída do safado ibérico. Por esse motivo, todos aqui chegaram à conclusão que por mais interessante que seja a convivência multi-cultural em casa, só os brasileiros são solidários nessas horas.
Os horários são bem variados aqui em casa, há quem estude de manhã, à tarde e à noite. Portanto, vivemos nos encontrando indo ou vindo da Universidade. E nos desencontrando em casa. A convivência é muito boa dentro dessas paredes. Mileny sempre nos faz rir, Katy e Dani sempre estão planejando alguma saída , Gustavo é o cara pra se falar de futebol e Jan tem o típico coração puro das pessoas do Leste.
No fim das contas, somos todos de locais diferentes no Brasil e no mundo. Nunca havíamos nos visto antes. Mas, aqui, somos uma pequena família. E, garanto, somos muito felizes. Pena que está acabando.
Definições
Aproveito esse momento especial de inspiração e atendo agora às cobranças de tantos bons amigos e familiares especiais para mandar notícias e contar um pouco sobre minha vida além-mar. Esse é o post inaugural do Piratas do Capibaribe. começo com as definições que possam ajudar a entender alguns dos termos que tenho usado ultimamente em títulos de textos e álbuns de foto do meu orkut. Também informo que esse espaço será usado não só para contar um pouco do meu dia-a-dia na Europa, mas como meu espaço pessoal para textos em geral, se eu tiver inspiração e tempo para tal.
Abraços!
DEFINIÇÕES:
1) Erasmus: Protocolo Erasmus, Acção Erasmus ou ainda Programa Erasmus foi estabelecido em 1987 , é um programa de apoio interuniversitário de mobilidade de estudantes e docentes do Ensino Superior, entre estados membrosda União Européia e estados associados, permite a alunos que estudem noutro país por um tempo de 3, 6 e 12 meses. Seu nome deriva de Erasmo de Roterdam, que viveu e trabalhou em vários locais da Europa para expandir seus conhecimentos e adquirir novas experiências; ao morrer, deixou toda sua fortuna para a Universidade de Basiléia, sendo o primeiro patrocinador de bolsas de mobilidade.
2) Doutorandando: Deriva de doutorando (estudante de medicina no internato, "aquele que está a se tornar doutor") e se refere a sua principal função: andar ("vai buscar os exames", "leva o paciente no Raio-X", "vai buscar um cafezinho e um jornal").
3)Housemates: Pessoas que dividem uma casa ou apartamento, em geral estudantes. Muitas vezes, além de rachar o aluguel e as contas, se tornam amigos.
4) Low Cost: Termo em inglês, cuja tradução literal é baixo custo. Refere-se a companhias que oferecem serviços a preços mais em conta que as companhias tradicionais, só que menos conforto e com algumas restrições ao serviço fornecido. Em geral, a diferença no preço compensa o menor conforto.
5) Couch Surfing: Comunidade baseada na internet em que pessoas recebem hóspedes e/ou também hospedam outros. É um sistema sólido, com bastante tempo de existência, em que as pessoas têm em seu perfil as referências de todos os outros surfers que já as conheceram pessoalmente.
6)Portos Saqueados: Título do mapinha que coloquei no canto inferior direito do blog. Basicamente, são as cidades que eu já visitei (er... lembre-se que o nome do blog é Piratas do Capibaribe. U_U Enfim...)

